Concorrência às avessas

Ontem eu fui almoçar em restaurante bem bacana aqui em Vitória. Chamou-me a atenção o freezer de sorvetes da Garoto. Fui olhar e encontrei um sorvete estilo “Cornetto” do bombom Serenata de Amor, custava R$ 4,15. Olhei no freezer da Nestlé e lá estavam outros sovertes no mesmo estilo. Preço? R$ 4,15.

A fusão Nestlé-Garoto foi só uma de muitas que ocorreram no passado recente. Outras como, Sadia-Perdigão, Itaú-Unibanco, Antarctica-Brahma, Santander-Banco Real, Oi-Brasil Telecom, Pão de Açúcar-Casas Bahia, Ricardo Eletro-Insinuante, são apenas algumas que vêem rapidamente à memória quando pensamos em fusões e aquisições no Brasil.

O modelo de defesa da concorrência no Brasil está sendo deixado de lado em favor de um modelo que busca criar grandes empresas que podem concorrer com mais força no exterior, adquirindo empresas em outros países. Vide a compra da Budweiser (Anheuser-Busch) pela Ambev.

Esse modelo ajuda os grandes conglomerados a crescerem, em geral, enfiando a mão no bolso dos consumidore e dos fornecedores. Que os consumidores perdem você já notou no meu exemplo do sorvete. Agora, imagine um produtor de ventiladores lutando para que o grupo Pão de Açúcar-Casas Bahia adquira seus produtos.

O que chama mais a atenção de quem para 5 minutos e olha o histórico recente não é somente a ausência de atitude do CADE/SDE/SEAE, é também o fato que o BNDES seja o grande financiador de muitas dessas operações. Vejam esse exemplo:

O grupo JBS-Friboi (que ano passado comprou o grupo Bertin) e Marfrig receberam do BNDES 18,5 bilhões de dólares nos últimos 4 anos. Ou seja, cerca de 25% de tudo que o banco investiu na compra de participação de empresas. O BNDES, via Tesouro, capta pagando SELIC e empresta à juros modestos. Quem paga a diferença é o contribuinte

O “investimento do BNDES” se torna um financiamento para a compra de outras empresas menores em outros países. A Marfrig, por exemplo, comprou a americana Keystone Foods, que é fornecedora do McDonalds. Mas não vou me alongar sobre este caso especificamente.

Esse modelo é a mais perversa forma de concentração econômica. O Estado, que deveria regular e incentivar a concorrência, financia fusões e aquisições, gerando concentração econômica com dinheiro público. É o verdadeiro caso de concorrência às avessas com o dinheiro do contribuinte.

Author: bloquedoda&J9$Og$G9

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